URBANIDADE X SANIDADE | CIVILITY X SANITY

Eu conheci Marco Magalhães e logo no primeiro encontro senti que ele transmitia algo que iria além desse encontro de algumas palavras. Quando vi seu trabalho me dei conta que seu mundo era pictórico e emotivo. Como não sou crítico de arte, logo me recuso a criticar a emoção do outro. O que posso fazer é me deixar tocar pelas imagens e sentir o outro pelo seu mundo criativo e sensitivo. Assim sendo, apenas compartilho e admiro o que me toca. O trabalho de Marco Magalhães transborda poesia e faz com que eu participe do seu mundo interior de relíquias do passado. Seu olhar urbano me remete a grande centros e o que eles nos alimentam em texturas, imagens e cores. São emoções que me tocam no estômago. Energias básicas e de um refinamento caótico, onde linhas, colagens, fotos, cores, matérias se misturam definindo um equilíbrio, que quando se vive numa grande metrópole é necessário e primordial para se manter são. Suas telas vão além da decoração. São pedaços do dia-a-dia de todos nós. Ele consegue, no equilíbrio e nas nossas referências visuais, indicar de maneira polêmica o que vivemos. Nos faz refletir sobre tópicos humanos e sensoriais como o amor, a guerra, o planeta, o “eu”, nos posicionando num instante de meditação. Ele não se limita ao Brasil, sua arte é mundial, “museal” e extremamente contemporânea em todos os sentidos. Em suas fotos pode-se ver de onde vem sua inspiração. Símbolos, hieróglifos, letras, fotocópias e grafites preenchem espaços como se preenchessem o meu ser. Eles contam a história, a minha história de vida, meus fantasmas e minhas ambições. Onde existe o caos, existe também o equilíbrio e é com grande prazer que posso dizer que Marco Magalhães é mestre em retratar esta dualidade com tanta sensibilidade.

 

I met Marco Magalhães  and the  first meeting I felt that it conveyed something that would go beyond this gathering of few words. When I saw his work I realized that his world was painterly and emotive. As I am not an art critic, so I refuse to criticize the other’s emotion. What I can do is let me touch the images and feel the other world for its creative and sensitive. Therefore, only admire and share what touches me. The work of Marco Magalhaes poetry overflows and causes me to participate in your inner world of relics of the past. Her look reminds me a great urban centers and what they feed us in textures, colors and images. They are emotions that touch me in the stomach. Basic energies and refinement of a chaotic, where lines, collages, photos, colors, materials are mixed setting a balance that when you live in a big city and you need to keep are paramount. His paintings go beyond decoration. They are pieces of day-to-day for all of us. He can, on balance and in our visual references, indicate the way we live controversy. Makes us reflect on topics such as sensory and human love, war, the planet, the “I”, positioning ourselves in a moment of meditation. It is not limited to Brazil, his art is worldwide, “museum” and extremely contemporary in every sense. In the photos you can see where your inspiration comes. Symbols, hieroglyphics, letters, photocopies and graffiti as spaces fill up fill my being. They tell the story, my life story, my ghosts and my ambitions. Where there is chaos, there is also the balance and it is with great pleasure that I can say that Marco Magalhaes is a master at portraying this duality with such sensitivity.

 

Maui Reple, galerista

Amsterdam, julho de 2015

 

 

MAGNÍFICA DESORDEM | MAGNIFICENT DISORDER

Adquiri uma obra de Marco Magalhães na SP-Arte de 2010, quando tomei conhecimento de seu trabalho. É impressionante como Marco consegue trabalhar o campo de execução , a tela, o papel ou a fotografia, com tanta propriedade. O artista retrata a inquietude das grandes metrópoles, as frustrações das pessoas pedindo socorro, exprimindo suas frustrações, angústias, tesão e esperança. Mas ao mesmo tempo também a ironia, o despudor e mais que isso, o caos. Porém, tudo com muita elegância, se assim posso dizer. Sua escrita é outra coisa que me impressiona: são textos, inicialmente sem significado, que no fundo são desenhos de pura plasticidade. Com olhar atento, pode-se perceber uma preocupação do artista em sempre realçar o berço de morte: as cruzes aplicadas despretensiosamente em lugares nem sempre pré definidos, a tinta por vezes escorrida com exatidão, e a predominância de preto e vermelho denotam este sentimento de guerra, de egos e de beleza ao mesmo tempo. O layout dos trabalhos é outro ponto relevante de sua obra: uma mistura de coisas, cores e palavras com muita harmonia. É nítido também suas inspirações e referências, tais como Basquiat, Rauschenberg, De Kooning, Francis Bacon e do nosso querido Wesley Duke Lee, que o próprio artista assumiu em conversa recente. Mas são meras lembranças desses monstros sagrados, porque Marco tem traço próprio, inspirações profundas de sua alma. “Gosto dos desenhos sem muita estrutura, mas que evocam ao passado, mas ao mesmo tempo a um mundo que talvez já tenha vivido ou almejo que exista”, diz ele. Para finalizar, sinto que Marco tenha encontrado na fotografia, a grande ferramenta que lhe faltava. Ela está sempre presente em seu trabalho e mesmo suas fotos urbanas, puras e simples, são de muita sensibilidade e guiam toda sua obra.

 

Acquiring a work of Marco Magalhães SP-Arte in 2010, when I became aware of his work. It’s amazing how Marco can work the field running, fabric, paper or photography, with such property. The artist depicts the restlessness of large cities, the frustrations of people asking for help, expressing their frustrations, anxieties, hopes and horny. But at the same time also the irony, the shamelessness and more than that, chaos. But everything with elegance, if I may say so. His writing is another thing that impresses me: texts are initially meaningless, that deep drawings are pure plasticity. With watchful eyes, one can see a concern of the artist always highlight the cradle of death: the crosses unpretentiously applied in places not always pre-defined, sometimes the ink dripped with accuracy, and the predominance of black and red denote this feeling of war , egos and beauty simultaneously. The layout of the work is another important point of his work: a mixture of things, colors and words with great harmony. It is also clear his inspirations and references such as Basquiat, Rauschenberg, De Kooning, Francis Bacon and our dear Wesley Duke Lee, the artist himself took in a recent conversation. But these are mere memories sacred monster, because Marco has trait itself, deep breaths of his soul. “I like the drawings without much structure, but that evoke the past, but at the same time to a world that has ever lived or perhaps crave there,” he says. To conclude, I feel that Marco has found in photography, he lacked great tool. She is always present in his work and even your photos urban, pure and simple, are very sensitive and guide all his work.

 

Mateus Funes, colecionador de arte contemporânea

Rio de Janeiro, junho de 2010

 

 

UNIVERSO MIDIÁTICO | MEDIA UNIVERSE

Interessado ao mesmo tempo, na gestualidade do Expressionismo Abstrato e na representação Pop da figura humana, esvaziada de conteúdo, Marco Magalhães busca representar “o homem e seus vazios existenciais”. Substraindo seu repertório sobretudo do universo midiático, ele procura dar `a impessoalidade das imagens publicitárias um tratamento pictórico pessoal, por meio da precariedade do gesto ligeiro e inacabado. Sua intensão assim, é criar ambientes degradados nos quais habitam “seres introspectivos”, mergulhados em suas próprias meditações. Desse modo, quer o artista nos convidar a imaginar no que estariam pensando esses personagens diante de “tudo mais o que cercam”.

 

Interested while the gestures of Abstract Expressionism and Pop in the representation of the human figure, devoid of content, Marco Magalhães seeks to represent “the man and his existential void.” Subtracting its repertoire primarily from media universe, it seeks to `impersonality of advertising images pictorial treatment personnel, through precarious slight gesture and unfinished. His intention therefore is to create environments in which inhabit degraded beings “introspective”, immersed in his own meditations. Thus, whether the artist invites us to imagine what these characters were thinking before “all over the surrounding.”

 

Enauro de Castro, documentação e reserva técnica do Museu de Arte de Goiânia

Goiânia, julho de 2012

 

 

ODE AO VAZIO | ODE TO EMPTY

Há um poema de Manoel de Barros que diz:

“A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio. Falava que os vazios são maiores, e até infinitos.”

Deve ser por isso que no trabalho de Marco Magalhães cabe a pintura, a fotografia, e caberia mais coisa, se assim o desejasse. Ao olhar para o vazio, o artista encontra o fio que o conduzirá para sua linguagem estética e conceitual: o registro do que não está lá. Recorrente nas fotografias, as imagens de ambientes vazios, janelas ou paisagens soturnas se apresentam, ironicamente, como indícios de vida, de quem esteve ali, deixando vestígios de sua passagem, como uma fotografia, antiga, uma mesa posta, um carro estacionado, ou mesmo intervenções na no espaço que remetam à pintura, técnica que o artista domina mesmo quando o instrumento em mãos seja a câmera, e não o pincel. Do mesmo modo o espaço vazio indica vida, a figura humana, nas pinturas de Marco, são concebidas como naturezas-mortas. Elas não têm rosto, seus contornos parecem se misturar ao ambiente, pertencendo a ele como objetos ou mesmo sombras. Sua predileção pelo “não estar” se faz presente pela representação da pessoa em campos de não-cor, onde todo o ambiente é carregado de cores e texturas bastante faturadas. Nestes trabalhos, Marco revela o interesse por questões pertinentes à contemporaneidade como identidade, auto-afirmação, relação sujeito-espaço. Aqui, o indivíduo é anulado frente ao turbilhão de informações imagéticas que compõem o seu habitat. Ele só é quando está. Compreendo o trabalho de Marco como um alerta que cala em lugar de gritar, às inquietudes da condição humana. Ao apreciá-lo, meu pensamento se remete a outro aforismo, de Martha de Medeiros: “Mesmo onde você enxerga o vazio, pode ter gente dentro”.

 

There is a poem by Manoel de Barros says:
“The mother noticed that the boy liked more empty than full of. Said that the voids are larger, even infinite. ”
Must be why the job fits Magellan Marco painting, photography, and would fit more thing, if so desired. When looking at the emptiness, the artist finds the thread that will lead to their aesthetic and conceptual language: the record is not there. Applicant in the photographs, the images of empty environments, windows or gloomy landscapes present themselves, ironically, as signs of life, who was there, leaving traces of their passage, such as a photograph, old, a table set, a parked car, or interventions in the same space referring to painting technique that the artist mastered the instrument even when the camera is at hand, and not the brush. Similarly the empty space indicates life, the human figure in the paintings of Marco, are conceived as still lifes. They have no face, its contours seem to blend into the environment, belonging to him as objects or shadows. His predilection for “not” is present in the representation of the non-color fields, where the whole environment is filled with colors and textures billed fairly. In these works, Marco reveals interest in issues relevant to contemporary as identity, self-assertion, the subject-space. Here, the individual is void against the whirlwind of information that make up your imagery habitat. It is only when. I appreciate the work of Marco as an alert that shut instead of yelling, the concerns of the human condition. When you enjoy it, my thought was referring to another aphorism, Martha de Medeiros: “Even where you see the void, we may have inside.

 

Luize Coutinho, historiadora e pesquisadora em arte-contemporânea

São Paulo, agosto de 2012